Porquê não há mais ataques no Tour? – A opinião de Vincenzo Nibali.

Por | 18-07-2018 | Estrada

Já ultrapassada a primeira semana, começaram as etapas de montanha, mas os ataques sérios entre os favoritos no Tour de France ainda não se tinham visto até hoje.

Entrevistado ontem após a etapa 10 (dia 17/07) e questionado acerca da falta de ataques e espectáculo nestas primeiras etapas de montanha do Tour, Nibali tem uma opinião própria.

Segundo o Italiano vencedor das 3 grandes voltas, pode parecer aborrecido na televisão, mas o facto de haver treino especializado e da forma dos ciclistas ser parecida fez com que a etapa 10 tenha sido feita a uma velocidade muito alta.

Acerca da falta de ataques entre os candidatos à classificação geral Nibali diz:

“Pode ser aborrecido na televisão, mas a alta velocidade imposta no pelotão não dá espaço para que haja selecção.”

“Este “novo” ciclismo é assim graças a avançados e precisos métodos de treino, todos os ciclistas estão numa forma parecida, só um mau dia de um ciclista pode fazer com que haja atraso.”

“Numa etapa difícil de montanha, numa corrida de 3 semanas é difícil haver ataques e movimentações entre nós porque a forma física de cada um é parecida, e o espectáculo na TV sofre com isso.”

“A diferença hoje em dia é feita por aqueles que cometem algum erro na sua preparação, que não recuperaram bem do dia anterior ou que tiveram algum problema.”

Sobre o que se pode fazer para aumentar o espectáculo.

Equipas mais pequenas?

“É suposto “abrir” a corrida e haverem mais ataques, mas isso acaba por não acontecer porque todas as equipas têm na mesma o mesmo número de ciclistas.”

Etapas mais pequenas?

“As etapas mais pequenas tornam as coisas mais interessantes para toda a gente porque a corrida fica mais explosiva, em vez de se esperar pelos últimos 50 quilómetros em 200 de uma etapa, pode-se atacar a meio de uma etapa de 100 quilómetros…”

Viu-se na etapa de hoje, que o facto de ser uma etapa mais curta faz com que haja mais espectáculo.

O “Tubarão” quis falar mais sobre os limites orçamentais para as equipas, onde a Sky é aquela que maior orçamento tem com 42 milhões de euros, a Bahrain-Merida de Nibali tem 15 milhões de orçamento, mas a maioria das equipas World-Tour tem orçamentos a rondar os 10 milhões.

“A Sky tem um grande orçamento, podem ter os melhores ciclistas, tendo os melhores ciclistas podem controlar as corridas e torna as coisas um pouco mais fáceis para eles. Se a Bahrain tivesse um orçamento com mais 10 milhões do que tem as coisas mudariam.”, disse Nibali.

“Talvez necessitemos de um limite orçamental, talvez isso equilibrasse as coisas e as tornasse mais interessantes…”

“…de qualquer forma é só uma opinião, não quero criar controvérsia.” finalizou o italiano.

Controvérsia e opiniões à parte, ficam as frases do Sr. David Lappartient (presidente da UCI) neste ano.

“O que todos querem são corridas atractivas”.

“As pessoas querem corridas abertas em vez de corridas completamente bloqueadas pela equipa com os melhores ciclistas”. – David Lappartient

A verdade é que hoje, por um lado numa etapa com 108 quilómetros houve ataques e espectáculo e ataques, mas no final venceram os mesmos.

Deixamos-te o resumo da etapa de hoje, etapa 11 que foi bastante interessante, parecia uma etapa do Giro de Itália.

Classificações completas após a etapa 11 aqui.

 

Fonte: velonews

 

Luís Beltrão

Mr.B.

 

 

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