O Paris-Roubaix 2019 – Guia completo do “inferno do norte”.

  • 12-04-2019
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    O Paris-Roubaix é sem dúvida a clássica da primavera mais mediática e mais conhecida de todas. É a clássica das clássicas.

    Neste artigo vamos dar-te alguns pormenores curiosos sobre como preparam as bicicletas para a prova, quais os sectores que irão fazer parte da prova no próximo domingo e filmes sobre o “inferno do norte”.

    Para os que não têm tempo de ver o artigo completo, aqui está um bom resumo daquilo que é o Paris -Roubaix. Não tens que agradecer.

    O percurso e os sectores de pavé

    A partida e chegada da corrida são efectuadas sempre nos mesmos locais, a partida em Compiegne e a chegada no velódromo de Roubaix.

    Não é um pavé ou calçada qualquer, é assim.

    No entanto o trajecto vai sofrendo alterações todos os anos e os sectores de pavé vão mudando de acordo com o trajecto escolhido ou com o estado de conservação de cada um.

    Cada sector é classificado com estrelas, sendo que 1 estrela corresponde a menos dureza, e 5 estrelas a maior dureza.

    Os sectores da prova são praticamente pontos turísticos.

    Os 29 sectores de pavé do Paris-Roubiax 2019

    Aqui tens o menu disponível, no que toca a sectores de pavé, serão 3 de 5 estrelas, 7 de 4 estrelas, 13 de 3 estrelas, 5 de 2 estrelas e 2 de 1 estrela:

    29: Troisvilles to Inchy (km 97.5 – 0.9 km) **
    28: Briastre to Viesly (km 108.5 – 3 km) ****
    27: Viesly to Quiévy (km 101.5 – 1.8 km) ***
    26: Quiévy to Saint-Python (km 116 – 3.7 km) ****
    25: Saint-Python (km 118.5 – 1.5 km) **
    24: Vertain to Saint-Martin-sur-Écaillon (km 127.5 – 2.3 km) ***
    23: Verchain-Maugré to Quérénaing (km 136.5 – 1.6 km) ***
    22: Quérénaing to Maing (km 140.5 – 2.5 km) ***
    21: Maing to Monchaux-sur-Ecaillon (km 142.5 – 1.6 km) ***
    20: Haveluy to Wallers (km 156.5 – 2.5 km) ****
    19: Trouée d’Arenberg (km 164.5 – 2.3 km) *****
    18: Wallers to Hélesmes (km 170 – 1.6 km) ***
    17: Hornaing to Wandignies (km 179 – 3.7 km) ****
    16: Warlaing to Brillon (km 185 – 2.4 km) ***
    15: Tilloy to Sars-et-Rosières (km 188.5 – 2.4 km) ****
    14: Beuvry to Orchies (km 194 – 1.4 km) ***
    13: Orchies (km 199 – 1.7 km) ***
    12: Auchy to Bersée (km 206.5 – 2.7 km) ****
    11: Mons-en-Pévèle (km 212 – 3 km) *****
    10: Mérignies to Avelin (km 215.5 – 0.7 km) **
    9: Pont-Thibault to Ennevelin (km 220 – 1.4 km) ***
    8: Templeuve – L’Épinette (km 224 – 0.2 km) *
    8: Templeuve – Moulin-de-Vertain (km 225 – 0.5 km) **
    7: Cysoing to Bourghelles (km 232 – 1.3 km) ***
    6: Bourghelles to Wannehain (km 234.5 – 1.1 km) ***
    5: Camphin-en-Pévèle (km 239.5 – 1.8 km) ****
    4: Carrefour de l’Arbre (km 242.5 – 2.1 km) *****
    3: Gruson (km 244 – 1.1 km) **
    2: Willems to Hem (km 251 – 1.4 km) ***
    1: Roubaix (km 256 – 0.3 km) *

    No total dos 257 km’s, 54,5 são em pavé, o que vai massacrar ciclistas e bicicletas, causando desgaste, stress e quedas.

    “Tuning” especial Roubaix nas bicicletas

    Ao longo dos anos as marcas foram aprimorando modelos de estrada para este tipo de provas, que absorvem as vibrações do terreno irregular, têm modelos específicos de endurance que nasceram devido a esta prova.

    A Specialized tem um modelo de bicicleta ao qual deu o nome de Roubaix.

    Mas modelos de bicicletas específicos não chega, porque as equipas acabam sempre por fazer adaptações especiais para a prova do pavé, como por exemplo:

    1. Pneus mais altos que o habitual, em vez dos 23 ou 25mm., usam 28mm e alguns até 32mm.
    2. Pressões mais baixas. De nada vale usarem pneus de 28mm. e depois colocarem 120 psi de pressão, assim usam pressões entre os 65 e os 85 psi para melhorar a absorção dos impactos.
    3. São colocadas duas fitas de guiador sobrepostas.
    4. Alguns colocam fita de guiador na base dos pedais para absorver os impactos brutais ao longo dos 257 km’s
    5. Colocam um prato pequeno maior, visto ser uma prova praticamente toda ela em terreno plano. Em vez da habitual combinação de pratos pratos 53/39 dentes, usam 53/42 ou 53/44 dentes.
    6. Shifters extra montados no centro do guiador.
    7. Manetes de travão extra no centro do guiador.
    8. Grades de bidom com “grip” extra para evitar estes saltem.
    9. Guias de corrente para evitar que salte.

    Deixamos-te um vídeo do Global Cycling Network, onde explicam alguns destes “tunings”.

    Ou seja, não podemos lá estar e a maioria de nós nunca pedalou por aqueles sectores de pavé, mas só pelas alterações que muitos profissionais fazem nas suas bicicletas, já dá para imaginar a brutalidade a que os ciclistas são expostos.

    A corrida

    Não é uma corrida onde só conta a qualidade do ciclista, é uma corrida de sorte, de “timings” e de colocação.

    Já partilhámos este vídeo da nossa conversa com Nelson Oliveira, se não viste, presta atenção ao que o português diz sobre a brutalidade do Paris-Roubaix.

    A ter em conta na edição deste ano

    Os favoritos

    Dzenek Stybar – Por vários factores, pertence à equipa que tem tido o domínio absoluto das clássicas, encontra-se num bom momento de forma, contando já com a vitórias na “Omloop Het Nieuwsblad Elite”, na “E3 BinckBank Classic” e também no alto do Malhão na Volta ao Algarve.

    Zdenek Stybar

    Além de tudo isto, já fez segundo lugar no Paris-Roubaix por duas vezes, em 2015 e 2017.

    Greg Van Avermaet – Já vencedor da prova por uma vez (em 2017), tem estado na discussão das clássicas este ano, tendo discutido ao sprint a
    “E3 BinckBank Classic” e no TOP10 do Tour de Flandres.

    Greg Van Avermaet

    Peter Sagan – Apesar de não estar tão bem como nos últimos anos, o ex-Campeão do Mundo disputou ao sprint a Milan San-Remo e esteve bastante activo nas restantes corridas, um 3 vezes Campeão do Mundo é sempre um ciclista a ter em conta.

    Peter Sagan

    Alexander Kristoff – O Norueguês está de volta, depois de alguns altos e baixos na sua carreira, este ano parece estar de volta, já venceu a Gent-Wevelgem, 3.º no Tour de Flandres e se a edição deste ano do Paris-Roubaix terminar com um grupo de ciclistas no velódromo, como o próprio já o disse, após muitos quilómetros ele tem um bom sprint.

    Alexander Kristoff

    Wout van Aert – O jovem ciclista belga Tri-Campeão do mundo de Ciclocrosse contratado pela Jumbo-Visma está no seu primeiro ano World Tour mas dispensa apresentações, os resultados falam por si: 3.º na Strade Bianche, 6.º na Milan San-Remo, 2.º na “E3 BinckBank Classic”.

    Wout Van Aert

    Todos estes e os outros vão lutar para vencer a rainha das clássicas do pavé, vão deixar todas as suas forças naquele percurso e no final o vencedor, ganha isto.

    Quantos sonham ter este mítico “calhau” em casa?

    Domingo 14/04/2019 vai ser entregue ao vencedor no velódromo de Roubaix, apostas em alguém?

    Poderás acompanhar a prova na Eurosport 1, com os comentários do Paulo Martins e Gonçalo Moreira.

    Para saberes um pouco mais da história e da envolvente da prova, deixamos-te dois excertos de dois bons filmes sobre o Paris Roubaix, onde podes ver factores históricos como os duches do velódromo de Roubaix, que têm mais de 100 anos e cada um tem uma placa com o nome de um vencedor da prova.

    Road to Rouaix

    Hell of the north

    Start list das equipas para este ano.

    Bora-Hansgrohe

    SAGAN Peter
    OSS Daniel
    BODNAR Maciej
    BURGHARDT Marcus
    SAGAN Juraj
    SCHILLINGER Andreas

    Direct Energie

    PETIT Adrien
    CARDIS Romain
    GAUDIN Damien
    GÈNE Yohann
    LIGTHART Pim
    PICHOT Alexandre
    TURGIS Anthony

    EF Education First

    PHINNEY Taylor
    VANMARCKE Sep
    BRESCHEL Matti
    DOCKER Mitchell
    HOFLAND Moreno
    LANGEVELD Sebastian
    SCULLY Tom

    Cofidis, Solutions CréditsLAPORTE Christophe
    FORTIN Filippo
    HOFSTETTER Hugo
    TOUZE Damien 
    VAN LERBERGHE Bert
    VANBILSEN Kenneth
    LEMOINE Cyril

    Arkéa Samsic

    GREIPEL André
    BONNAMOUR Franck
    FEILLU Brice
    JARRIER Benoît
    RUSSO Clément
    RIOU Alan
    WELTEN Bram

    Delko Marseille Provence

    ARERUYA Joseph
    ŠIŠKEVIČIUS Evaldas
    FILOSI Iuri
    JONES Brenton
    KASPERKIEWICZ Przemysław
    LEVEAU Jérémy
    TRARIEUX Julien

    Vital Concept – B&B Hotels

    DE BACKER Bert
    BOECKMANS Kris
    ERMENAULT Corentin
    LECROQ Jérémy
    MORICE Julien
    TURGIS Jimmy
    VAN GENECHTEN Jonas

    Roompot – Charles

    BOOM Lars
    ASSELMAN Jesper
    LEYSEN Senne
    STEELS Stijn
    VAN POPPEL Boy
    TIMMERMANS Justin

    UAE Team EmiratesKRISTOFF Alexander
    BYSTRØM Sven Erik
    GAVIRIA Fernando
    LAENGEN Vegard Stake 
    MARCATO Marco
    PHILIPSEN Jasper
    BOHLI Tom

    Wanty – Gobert Cycling Team

    BACKAERT Frederik
    DE GENDT Aimé
    DE WINTER Ludwig
    DEVRIENDT Tom
    DUPONT Timothy
    VANSPEYBROUCK Pieter
    VLIEGEN Loïc

    Bahrain-Merida

    MOHORIČ Matej
    BAUHAUS Phil
    GARCÍA CORTINA Iván
    HAUSSLER Heinrich
    KOREN Kristijan
    SIEBERG Marcel
    TRATNIK Jan

    Jumbo-VismaVAN AERT Wout
    EENKHOORN Pascal
    ROOSEN Timo
    TEUNISSEN Mike
    VAN DER HOORN Taco
    VAN POPPEL Danny
    WYNANTS Maarten

    AG2R La Mondiale

    DUVAL Julien
    VANDENBERGH Stijn
    NAESEN Oliver
    DENZ Nico
    DILLIER Silvan
    GODON Dorian
    GOUGEARD Alexis

    Astana Pro Team

    CORT Magnus
    BALLERINI Davide
    BIZHIGITOV Zhandos
    DE VREESE Laurens
    FOMINYKH Daniil
    GRUZDEV Dmitriy
    HOULE Hugo

    CCC Team

    VAN AVERMAET Greg
    GRADEK Kamil
    SCHÄR Michael
    VAN HOECKE Gijs
    VAN HOOYDONCK Nathan
    VAN KEIRSBULCK Guillaume
    WIŚNIOWSKI Łukasz

    Deceuninck – Quick-Step

    ŠTYBAR Zdeněk
    ASGREEN Kasper
    DECLERCQ Tim
    GILBERT Philippe
    KEISSE Iljo
    LAMPAERT Yves
    SÉNÉCHAL Florian

    Groupama – FDJ

    DÉMARE Arnaud
    DUCHESNE Antoine
    GUARNIERI Jacopo
    KONOVALOVAS Ignatas
    LE GAC Olivier
    SARREAU Marc
    SINKELDAM Ramon
    KÜNG Stefan

    Lotto-Soudal

    KEUKELEIRE Jens
    BENOOT Tiesj
    DEWULF Stan
    FRISON Frederik
    MAES Nikolas
    NAESEN Lawrence
    VAN GOETHEM Brian

    Mitchelton-Scott

    TRENTIN Matteo
    AFFINI Edoardo
    BAUER Jack
    HEPBURN Michael
    MEZGEC Luka
    SCOTSON Callum
    STANNARD Robert

    Movistar TeamROELANDTS Jürgen
    ARCAS Jorge
    BENNATI Daniele
    CASTRILLO Jaime
    ERVITI Imanol
    SEPÚLVEDA Eduardo
    SÜTTERLIN Jasha

    Dimension Data

    BOASSON HAGEN Edvald
    BAK Lars Ytting
    EISEL Bernhard
    JANSE VAN RENSBURG Reinardt
    THOMSON Jay Robert
    TILLER Rasmus
    VERMOTE Julien

    Katusha – Alpecin

    POLITT Nils
    DEBUSSCHERE Jens
    BIERMANS Jenthe
    HALLER Marco
    HOLLENSTEIN Reto
    KUZNETSOV Vyacheslav
    WÜRTZ SCHMIDT Mads

    Team Sky

    MOSCON Gianni
    ROWE Luke
    DOULL Owain
    KNEES Christian
    LAWLESS Chris
    STANNARD Ian
    VAN BAARLE Dylan

    Team SunwebARNDT Nikias
    BOL Cees
    CURVERS Roy
    KÄMNA Lennard
    KRAGH ANDERSEN Asbjørn 
    PEDERSEN Casper
    WALSCHEID Max

    Trek – SegafredoDEGENKOLB John
    DE KORT Koen
    KIRSCH Alex
    MULLEN Ryan
    PEDERSEN Mads
    STUYVEN Jasper
    THEUNS Edward


    Fotografia: site da organização, P. Ballet, BrakeThrough-Media.

    Por: Luís Beltrão

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