Gravel Bikes – o próximo Boom? (com vídeo)

  • 23-01-2018
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    São marketing dos construtores, ou são realmente bicicletas diferentes e com utilidade diferente do que já existe disponível no mercado?

    Se pensarmos que este novo e crescente segmento de bicicleta é marketing, então também teríamos de o fazer com as bicicletas de estrada de “endurance”, ou com as bicicletas “aero”, ou no caso das bicicletas de montanha com a roda 27,5 ou 29, mas a verdade é que todas elas fazem sentido, adaptando-se ás necessidades de cada um.

    Pois no caso das gravel trata-se exactamente do mesmo, são bicicletas muito versáteis e que fazem sentido de acordo com a necessidade de cada um.

    Imaginas-te a fazer este tipo de provas, com este tipo de bikes? Provavelmente já fizeste parecidas, mas não tão rápido como irias numa Gravel.

    Existe em vários países um forte crescimento de utilizadores deste novo conceito (nos Estados Unidos já existe toda uma comunidade em redor das gravel, com corridas, fóruns e sites só deste tipo de bicicletas), à semelhança do que aconteceu no passado recente com as ciclocrosse ou roda 29 no caso das bicicletas de montanha.

    Corrida de Gravel em Schaffhausen na Suíça

    Não sabemos se vai vingar em Portugal, mas a verdade é que é um conceito muito interessante e que se encaixa nas verdadeiras necessidades de muita gente, assim queiram resistir à pressão de alguns amigos “experts” que achem o contrário.

    Por cá já começam a haver alguns importadores a apostar neste tipo de bicicletas, no entanto muitos utilizadores ainda não sabem bem onde se enquadram, que vantagens ou desvantagens têm, qual o seu potencial e principais diferenças em relação, por exemplo, às bicicletas de ciclocross que são as que à primeira vista mais se assemelham às gravel bikes.

    Tipo de utilização

    Pessoas que não queiram ter duas bicicletas por falta de espaço em casa, que não queiram fazer um investimento tão avultado ou despender de tanto dinheiro na manutenção de duas bicicletas, podem passar a ter só uma (e por exemplo, ter mais um par de rodas com pneus de estrada montados), tanto saem para pedalar com os seus amigos para a estrada, como podem ir fazer um BTT com os amigos do da bicicleta de montanha.

    Embora uma gravel nunca seja uma bicicleta de estrada tão eficiente como uma bicicleta de estrada de raiz, ou tão eficiente como uma bicicleta de montanha de raiz, mas para os que fazem tanto uma coisa como outra de uma forma mais suave (e quando dizemos mais suave, dizemos não fazer corridas com bicicleta de estrada, ou não fazer trilhos demasiado técnicos e corridas com a de montanha), este tipo de bicicleta será uma óptima opção.

    Também para pessoas que gostem de fazer longas rotas ou viajar em navegação, este é o conceito mais adequado, pois as rodas e o tipo de geometria do quadro permitem andar rápido em estrada de asfalto, bem como em estrada de terra, e o facto de algumas gravel virem com o quadro preparado para receber suportes de bagagem é uma outra vantagem para este tipo de utilização.

    A utilização citadina é outra que se enquadra bem neste tipo de bicicletas, principalmente se for uma cidade portuguesa, com muito empedrado, subidas, descidas, buracos e outros obstáculos (apesar de estarmos a evoluir neste campo, como sabem, pedalar em algumas cidades portuguesas pode ser mais duro que um Paris-Roubaix ou um Tour de Flanders), e mais uma vez o facto de virem preparadas para montar suportes de bagagem ou guarda lamas também é óptimo para quem utiliza a bicicleta nas suas deslocações urbanas.

    Bicicletas Gravel VS. Ciclocross

    À primeira vista, estes dois tipos de bicicleta podem parecer iguais, mas a verdade é que são diferentes, pincipalmente no que respeita à construção e geometria do quadro.

    Basicamente uma bicicleta de ciclocross é construída de raiz para competir num circuito com descidas e subidas curtas, durante cerca de 1h.30m., na sua construção o conforto é relegado para segundo plano.

    Uma gravel bike é construída para fazer mais quilómetros e passar muitas horas a pedalar, o quadro tem uma geometria mais confortável, que oferece mais confiança em descidas de terra longas onde se atingem maiores velocidades do que numa prova de ciclocrosse, e os andamentos disponíveis de origem também são adequados a rotas mais longas.

    A Gravel da Cannondale vem com Lefty, tal como as bicicletas de montanha da marca.

    As principais diferenças no quadro de ambas as bicicletas:

    A testa do quadro, que será maior nas gravel, à semelhança do que já acontece entre as bicicletas de estrada de endurance em relação às mais agressivas, confere maior conforto e controlo da bicicleta;

    as escoras inferiores são mais longas na gravel, que também oferece mais estabilidade e menos “nervosismo” às reações da bicicleta, quanto mais curtas são as escoras inferiores mais àgil é a bicicleta nas mudanças de direção por exemplo, o que numa gravel para fazer mais quilómetros em estrada de terra ou asfalto não é tão necessário, mas numa ciclocross sim;

    A Specialized diverge, á semelhança de algumas outras Gravel, dá para usar rodas 670b e 700c

    o bloco pedaleiro é mais baixo nas gravel, isso baixa por completo a posição em cima da bicicleta, o tubo vertical (do espigão) vai permitir ter um “drop” menor entre selim e guiador,  e que a posição seja mais relaxada, mais confortável e de melhor controlo da bicicleta (algo que parece ser útil quando descemos a 50/60 km/h em terra batida), ao contrário da bicicleta de ciclocross que tem o bloco pedaleiro mais alto por forma a tornar a bicicleta mais àgil e de maior rendimento em circuito, entre obstáculos e mudanças de direção;

    A bicicleta de ciclocrosse tem uma geometria mais agressiva e menos confortável.

    Em alguns modelos de gravel, encontram quadros onde podem usar pneus muito mais grossos do que nas bicicletas de ciclocross (com rodas 650b por exemplo), que vos permitem curvar com mais confiança a maior velocidade, passar por obstáculos de forma mais fácil e com maior protecção das rodas.

    Em resumo

    Uma gravel situa-se ali no meio de um triangulo composto pela bicicleta de estrada, a bicicleta de ciclocross e a de BTT, é uma bicicleta de aventura, de viagem por todo o terreno seja ele asfalto ou terra, de uma forma mais intensa e rápida do que com uma BTT,  mais confortável e com maior controlo do que com uma ciclocross, ou por terrenos nos quais uma bicicleta de estrada não conseguiria.

    Não são bicicletas para fazer só estrada, nem são uma bicicletas para fazer só BTT, nem são  bicicletas urbanas, mas são bicicletas muito versáteis e resistentes com as quais podem fazer um pouco de tudo, basta avaliarem qual a verdadeira utilidade que dão a cada uma das vossas bicicletas (ou só uma), e decidirem se este conceito vos pode trazer vantagens.

    Fotos: Pinterest, ciclocross magazine, road cycling uk, bikepacking,cyclingtips, granfondo cycling, Bicycling

    Por: Luís Beltrão

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    6 comments on “Gravel Bikes – o próximo Boom? (com vídeo)”

    1. Marco Miguel diz:

      Boa tarde meu amigo.

      Tenho acompanhado a evolução no que diz respeito ao canal de youtube ao qual acho que está no caminho ascendente (já fazia falta).
      Apenas uma critica constitutiva no que diz respeito ao mesmo, melhorar a qualidade de gravação no que diz respeito ao audio.

      Relativamente ao artigo em questão, acho que está “no ponto” muito apelativo e de fácil interpretação indo de encontro ao que “quem procura, precisa de saber”.

      Actualmente tenho duas Ridley´s sendo que uma delas é uma gravel bike a X-Trail e a outra é uma Noah Aero +.

      Acho que a no caso das gravel bikes existem 2 adjectivos que tem de estar interligados polivalência e diversão!

      Posso afirmar que imenso tempo não me divertia tanto em cima de uma bicicleta, apesar de não ser uma topo de gama para mim neste conceito acho que esse factor não é primordial.
      Com esta “nova amiga” consigo fugir da rotina das estradas e percursos que habitualmente fazem parte do dia a dia, sendo uma opção de excelência rolar no estradão nos dias onde o treino não é especifico.
      A vertente de “commute” com esta bike fica igualmente mais divertido, deixando de ser um castigo circular nas estradas lisboetas bem como o tirar de cima aquela preocupação para quem utiliza os transportes público.

      Para concluir, estou muito feliz com a minha gravel! Acho o conceito bastante interessante especialmente para quem deseja ter uma “all-around”.

      Grande abraço e continuação de um bom trabalho.

      1. Olá Marco,
        muito obrigado por nos seguir, pelo comentário e observações ( inclusive do áudio, do qual temos a noção e estamos a tentar melhorar 🙂 ), o vosso feed-back é importante tentarmos melhorar.

        Boas pedaladas 👍

    2. Octávio Canhoto diz:

      boas a todos!!
      tenho uma cannondale de ciclocross e posso dizer que estou rendido, nunca fiz ciclocross competição mas já fiz maratonas com a bike, claro que não vou para ganhar é mesmo só para me divertir, isso de competir é para prós, ando regularmente com a bike em serra ( tem que se ter algum kit de unhas) e digo que só perde em zonas tecnicas, ando com ela em gravel e é 5estrelas, ando com ela em estrada (pneus 28) e anda bastante bem. quem pense em comprar uma máquina destas e goste de fazer um pouco de tudo sem olhar a competições estas são umas excelentes escolhas e garanto que se vai divertir tanto ou mais que uma de btt e uma de estrada, mesmo por causa das diferenças, não vai passar despercebido

      1. Obrigado por nos acompanhar e pela partilha da sua experiência 😉

    3. Paulo Simões diz:

      Neste momento tenho um colega que tem uma e trteina regularmente comigo , adoraria ter o prazer de experimentar uma máquina destas😁

      1. Mr. B diz:

        Também nós Paulo! 😀
        No nosso caso, está para breve. Iremos fazer um teste a uma, fica atento 😉
        Esperamos que possas também experimentar alguma brevemente.

        Boas pedaladas!

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