E se tivéssemos equipas World Tour na Volta a Portugal 2020?

Por | 26-03-2020 | Estrada

A situação do COVID-19 a nível global continua a causar estragos em todas as áreas, no entanto e no que ao ciclismo diz respeito, existe a esperança de que até ao final de 2020 ainda se possam disputar as provas adiadas. Poderia a falta de espaço no calendário colocar equipas World Tour na Volta a Portugal 2020?

É turbilhão de ideias, mas acompanhem-nos o raciocínio até ao final e deixem-nos a vossa opinião.

Embora tenha sido uma má notícia para todos os atletas a nível mundial, o adiamento dos Jogos Olímpicos para 2021 acaba por vir facilitar um pouco este quebra cabeças, que é tentar encaixar até ao final de 2020 as provas adiadas até agora, o Tour de Françe é por exemplo uma das provas que acabou por ganhar alguma margem.

No meio de toda esta incógnita, nem vamos referir a preparação dos ciclistas… Se mesmo sabendo datas em concreto é difícil preparar picos de forma, não sabendo quaisquer datas de nada ainda mais difícil se torna.

A prioridade (como já anunciou a UCI), seria manter as três grandes voltas e os monumentos das clássicas.

Em entrevista ao site Cyclingnews, Brian Cookson, antigo presidente da União Ciclista Internacional (UCI) falou na possibilidade das três grandes voltas passarem excepcionalmente a ter apenas 2 semanas este ano, para facilitar o calendário encurtado.

Brian Cookson – ex-presidente da UCI

“Ficaria surpreendido se o Tour de France acontecesse nas datas planeadas (27 de Junho a 19 de Julho), dada a situação em França agora, que parece estar a piorar. Mas se as coisas melhorarem bastante eu ofereço algumas sugestões “,

disse Cookson ao “Cyclingnews”.

Aquele que já foi o responsável máximo pelos projectos de ciclismo em todo o mundo acrescentou ainda:

” Com os Jogos Olímpicos adiados para 2021, há mais hipóteses de haver um Tour de France, mas mais curto, no final de Julho ou no início de Agosto. Um Tour de duas semanas deixaria espaço para um Giro de duas semanas no início de Setembro antes do Campeonato do Mundo e uma prova similar de duas semanas em Espanha em Outubro. “

Brian Cookson ao Cyclingnews

No que diz respeito às restantes provas, o senhor Cookson propõe que estas poderiam ser realizadas em paralelo com as grandes voltas e entre si, com as equipas a gerir os meios entre todas as provas.

Em relação aos monumentos adiados até agora (Milão San Remo, Tour de Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Giro da Lombardia) podem ser feitos nos fins de semana intermédios, acrescentou ainda o ex-presidente da UCI.

Experiência o senhor tem e vendo bem as coisas não parece má ideia, ainda assim, um Tour que não fosse realizado nas datas previstas seria realizado muito próximo da Vuelta, e esta demasiado próxima do Giro.

Das várias abordagens possíveis, uma delas é que o Tour passaria a servir de preparação para a Vuelta ou Giro, se estas se realizassem no formato proposto.

Alguns organizadores podem não ver isto com bons olhos, até alguns fãs podem não achar boa ideia, mas tendo em conta que a COVID-19 colocou o mundo “de pernas para o ar”, sinceramente como fãs de ciclismo queremos é ver ciclismo, se não for um Tour Giro ou Vuelta de três semanas, que seja de duas. Pode até ser interessante no final de contas, pois há um maior lote de ciclistas candidatos e não só “os tradicionais voltistas”, para “desenjoar”.

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Já que abordamos aqui o futuro, perguntamos nós:

Num cenário em que provas de classificação UCI mais alta não coincidissem com a Volta a Portugal (e partindo do princípio que esta se realize), poderíamos este ano ter equipas World Tour na Volta a Portugal 2020?

Se nada mudar, a Volta a Portugal de 2020 vai decorrer de 29 de Julho a 9 de Agosto, isto de acordo com a UCI, porque no site oficial da Volta a Portugal não encontrámos nesta altura quaisquer notícias relativas a 2020.

Inscrita no calendário “UCI Europe Tour” (um dos calendários das equipas continentais) com classificação 2.1, no seu regulamento de 2019 a Volta a Portugal prevê a participação de “UCI Pro Teams” (equipas World Tour) até um máximo de 50% do total de equipas inscritas.

Fosse como preparação para outras voltas, ou (tendo em conta que pode haver escassez de provas até ao final do ano por falta de calendário) fosse como objectivo, ter equipas World Tour seria um cenário possível, ou não?

O cenário que pode afastar esta hipótese é o facto de serem calendarizadas para a mesma data da Volta a Portugal, provas de classificação UCI mais elevada, o que levaria as equipas a optarem por essas provas, mas também pode acontecer que essas provas não se realizem nessas datas.

Ainda sem respostas sobre o reagendamento das principais provas de ciclismo do calendário UCI, aquelas que se mantiverem no calendário passam a “valer ouro” para as equipas e atletas, que desejam competir o máximo possível até ao final do ano.

Esperemos acima de tudo, que a situação de saúde pública se resolva com o menor número de vidas humanas perdidas, depois como amantes deste desporto que a Volta a Portugal se realize e por último, mesmo sendo uma hipótese remota, que venham equipas do escalão mais alto do ciclismo mundial à prova portuguesa.

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